sexta-feira, abril 20, 2012

Um momento

Deixa-me roubar-te um momento
um só instante do teu tempo
sei que apenas posso gritar ao vento
o teu nome e o meu lamento
Deixa que os ventos devorem
o teu cheiro e o teu sabor
e agarrem todas as folhas para que pousem
em mim esse teu calor
E que tornados carreguem os teus passos
e esses que venham com o teu corpo atrás
e que me cubram com mil abraços
para que eu descanse em paz
E que nesse momento no teu colo eu me deite
para que eu o teu peito espreite
e que na tua voz eu me cale
para que a palavra "amor" eu nunca mais fale
Comigo jazem os teus beijos
que para lá vou levar
contra ventos, terra e até o mar.

Despeço-me com amizade
SAF

terça-feira, abril 17, 2012

Pequenas estórias com fotos - o meu mês: parte 1


Perguntei-lhe:
- Achas que é mesmo aqui que se toma banho? - será que foi isso que perguntei? penso que as palavras que sairam foram um pouco diferentes:
- dadi da... - porra, se eu soubesse juntar várias palavras e conseguisse que elas fizessem sentido, talvez conseguisse fazer algumas questões que me preocupam:
Chiça, será que ele vai ali para dentro comigo? Normalmente ele coloca mais que uma coisa lá dentro e depois quando retira sacode. Como será ser sacodido?

sexta-feira, outubro 21, 2011

À saúde do Joãozinho

segunda-feira, agosto 29, 2011

O porquê de vir cá

Eu concordo. Quero apenas concordar
Este é o nosso canto
O canto do tudo e do nada,
do não querer os Clã para nada
Do China com dejá-vu
e até do "Gourmet Glamour".

Este é o canto do até já
e até do Conan que não vem cá
Este é o beco da pena,
ouvi do outro lado da rua alguém dizer,
talvez continuando no mesmo tema
o tema do amor...o amor apenas para ela me ver.

Qualquer coisa estranha e curiosa,
as nuvens escuras...
o comboio vazio...
e até o amor do Roque pelo tio,
Este é o canto do nº 10,
afinal,
apenas e só...são encontros
Aqui deixamos estes contos,
a chorar e a rir,
agora...agora tenho de ir.


Despeço-me com amizade
SAF

quinta-feira, março 10, 2011

Experiências

Penso que o meu corpo, enquanto junior, foi dado a experiências de índole antropológico por parte de: dois elementos parentais; da minha irmã; algumas pessoas do Miratejo; dois míudos de Corroios; um cão; um cavalo com apetite sexual depois de ter visto o filme: "Chocolate e Bananas"; mais algumas pessoas do Miratejo; e uma pessoa que não pretende ser identificado neste momento...como: Raúl "O Tininho" - nem nunca quis que soubessem que era do Miratejo, e longe de mim alguma vez dizer que morava na: Rua Mil Flores nº 24 3º Dto - pfuuu!!!!Ai de mim; lá voltava a ser a apedrejado. Nunca direi.
Nessa altura da minha vida, realmente senti que dei o meu corpo à ciência. Normalmente, as pessoas que mencionei, escolhiam a altura do Carnaval para utilizarem o meu corpo para essas experiências antropológicas.
Lembro-me de entrar em casa da minha avó, no Cartaxo, como um míudo normal: calças de fazenda (que me picavam as pernas como alfinetes); camisola de gola alta. Dar um beijo aos meus pais. Cumprimentar a minha avó, o meu avô, a minha irmã. De repente, como se tivesse levado com uma tábua no fundo da nuca, perdi os sentidos e só os recuperei na rua; à porta de casa da minha avó com a minha irmã e umas amigas dela adolescentes. Estavam vestidas normalmente. Eu...num lindo vestido vermelho de dançarina sevelhana, com castanholas em ambas as mãos. E assim me passearam pelas ruas da Ereira (Cartaxo). Cerca de três raparigas e uma dançarina sevelhana. Com castanholas em ambas as mãos. A partir daí, todos os momentos que poderiam ser embaraçosos, na minha vida...continuaram a ser. Mas pode-se dizer que comecei do fundo, e lá me mantive. Ainda hoje as pessoas da Ereira recordam as filhas do meu pai, e da minha mãe. Uma Sevilhana e uma normal.
Esta foi a minha primeira experiência a que fui submetido pelos elementos parentais e irmã.
Todas as restantes experiências a que o meu corpo foi submetido na época do Carnaval envolviam: pedras e balões de água. Os resultados inerentes a essas experiências não tinham grande relevo. Apenas me posso gabar que o meu corpo foi submetido ao primeiro apedrejamento, em praça pública, num país da actual União Europeia. Nunca antes tinha sido tentado num país da Europa. Ainda guardo, com grande carinho, os 356 pontos a que fui submetido em 15 partes do meu corpo. Crédito seja dado aos arremessadores das pedras, que conseguiram mais de 90% dos pontos na minha cabeça. Um feito impressionante num país ainda tão pouco desenvolvido na arte do apedrejamento público. A minha vida continuou após ter saído do coma. Dois anos apenas. Ah!Ah! Meninos. Apenas anseio um dia conseguir ir à Nigéria para poder estar entre os melhores apedrejados do mundo. Há elementos que já vão nos 15000 pontos. Quem me dera. É um feito. Assim que conseguir sair desta cama e deixar de escrever com esta palhinha talvez vá. Agora vou terminar. As enfermeiras já estão aqui para me lavarem. Estou com sede mas, por estranho que pareça, nunca mais consegui agarrar um objecto. Tudo me cai. Dizem que tenho os cotos escorregadios. eh!eh!

Despeço-me com amizade
SAF

terça-feira, janeiro 25, 2011

Vitória

Finalmente o conceito de: vitória; vitória estrondosa; ganhar; sucesso; dar uma abada; - mudou. Já não era sem tempo que alguém teve coragem de assumir que "levar uma abada" significa: uma vitória estonteante. Este feito deve-se a duas pessoas: Fernando Nobre e Francisco Lopes. Eles conseguiram que a minha vida, ao fim de trinta oito anos, seja repleta de sucessos. Obrigado.
Recordo agora que o facto de, durante a primária e preparatória, nunca ter sido convocado para jogar à bola pelos meus colegas - com uma justificação meritória: uma equipa tem sempre que jogar com menos um (seis contra cinco, para ser mais equilibrado). Isto sim, mostrava que era um jogador imprescíndivel - era a vitória da cidadania. Eu era um cidadão que, pelo simples facto de não jogar, possibilitava que se jogasse à bola.
Quando levei um ensaio de "porrada" de um cigano, seis anos mais novo do que eu - eu tinha doze - agora sei que foi uma vergonha para o cigano.
- Toma - gritava eu, enquanto ele, de rastos, me servia com uma tábua na testa. Deixei-o completamente zonzo.
- Toma - gritei eu novamente, enquanto ele, agonizado de dor, me fornecia mais um belo "passing shot", de esquerda, com essa magnífica tábua. Agora penso para mim: Devo-o ter deixado em mísero estado - coitado. E ainda bem que contei ao meu pai. Ele viu que tinha ali um filho vitorioso e perigoso. Sabia que eu me sabia defender, bem como atacar - aposto que era o que ele pensava enquanto o médico me fazia reanimação.

Toda uma nova perspectiva se abre agora. Agora sei que o Benfica está à frente do Porto com menos oito pontos.
Agora sei que teve uma brilhante vitória nas Antas, depois de ter encaixado cinco golos na própria baliza.

Agora sei que o discurso que o meu patrão me poderá fazer será de parabéns:

- Lamentamos ter que o despedir. O Sérgio é um trabalhador exemplar. O facto de não lhe darmos qualquer indemnização mostra o quando admiramos o seu trabalho. Já colocámos o processo disciplinar e concerteza vai ser um sucesso. Muito obrigado por estes anos em que, praticamente, foi uma boa nulidade.

Isso sim é um discurso. Que eleva qualquer ser humano à condição de Deus.

Obrigado Fernando Nobre.
Obrigado Francisco Lopes.

Despeço-me com amizade.
SAF

sábado, outubro 23, 2010

Ensaio - 1

Estás sentado. Um pequeno copo de vinho tinto à tua frente. A segunda garrafa a meio. Um olhar perdido para a janela, apenas um vidro te separa do céu cintilante. Um milhão de luzes captam a tua atenção. Olhas. Olhas...Não encontras uma única nova luz. Conhece-as de cor. Quando a vês entrar pela pequena porta desse silencioso e velho restaurante, suspiras. Um pequeno vestido preto a cobre. Um decote que apenas tapa, por pouco, os seus mamilos. Um andar seguro. O seu corpo pára mesmo à tua frente. Sem qualquer palavra senta-se. A sua sensualidade é evidente pela forma como se senta. Assistes, totalmente inerte. Reparas imediatamente nos seus seios, voluptuosos, apenas tapados por esse desconcertante decote. Umas pernas maravilhosas e longas que se cruzam de uma forma lenta e arrastada.
- Olá, venho-te buscar. - Disse-te.
Apenas olhaste, sereno, para ela e disseste: - Eu.
- Sim. Anda. Acabou.
Tocou-me na mão. Senti-me sem forças. O meu corpo deixou de reagir aos meus impulsos.
Nunca pensei que tivesse chegado a minha hora. Não podia ser. Quero ficar: quero ainda dar; receber; amar; beber; ler; rir; abraçar; VIVER...
- Agora. - Gritaste
- Sim, vem. Não sentes nada. - Calmamente ela te disse.
- Não sentes nada. - Ouviste novamente.
Foste. O último dia.
Não deixaste nada. Nada. Ninguém sabe porque foste. Simplesmente abalaste.
Acabou.

Despeço-me com amizade
SAF