Em relação à música e letra do post anterior, sim, ela é realmente muito bonita, até posso dizer lindíssima. No entanto, constatei que as imagens são uma fraude. Quando vi o video pela 1ª vez, pensei para mim -
"hummm, será que é possível?" Para que pudesse ter uma base científica e comprovar o que vi, convidei a minha mulher, Su, a vir ter comigo à cozinha.
Quando chegou à cozinha, perguntei-lhe com uma voz doce:
- Importas-te que te degole? Só quero tirar uma teima.
- Agora? Ainda tenho que ler os mail's que estão em atraso. Tem mesmo que ser agora?
- Vá lá. É só um bocadinho.
- É sempre tudo à tua vontade, mas vá lá despacha-te, que é para acabar de ler os mail's.
Iniciei a tarefa. Peguei na faca de serrilha, a do pão. Pedi à Su que se deitasse, e se colocasse de perfil. Coloquei a faca encostada ao seu pescoço de uma forma horizontal, ficando perpendicular em relação à sua linda cabeça.
Movimentei a faca para trás e para a frente com vigor, e com movimentos firmes. Parecia fácil, senti as pernas da Su estremecerem.
A cozinha acabada de pintar, pelo Sr Manel "o pintor", recebia o impacto de alguns esguichos de sangue que percorriam alguns metros, tornando-se hóspede do seu branco puro. A Su disse:
- Chiça, estamos a sujar o raio da parede. Amanhã liga ao Sr Manel "o pintor", para ver se ele vem cá dar uma mãozinha, ok?
- Sim, môr.
Continuei o movimento, firme e mecânico da faca de serrilha no pescoço do meu amor. A certa altura senti algo soltar-se. Finalmente, a cabeça do meu amor estava separada do seu lindo corpo.
O corpo do meu amor, ergueu-se, os seus pés movimentaram-se tentando evitar as poças de sangue alojadas na cozinha, de forma a não patinhar o chão do corredor. Gritei então:
- Môr? Se fores para a sala chama-me quando vires que o filme começou, ok?
Senti que a resposta não vinha de um lugar afastado, mas sim de muito perto de mim:
- Não consigo, sinto falta de algo!!! - exclamou ela
Bom...não liguei.
Quando pousei a cabeça do meu amor no chão, para ir buscar uma corda, ouvi um estrondo na sala, tipo... de um corpo a cair, que percorreu todas as divisões desde a sala até à cozinha, num perfeito som abafado. Disse então para o meu amor:
- Vê lá por onde andas amor, tem cuidado, não estás em condições de andar por aí. Aleijaste-te?
Fiquei preocupado, não queria de forma alguma que o meu amor se aleijasse. Aguardei por uma resposta, com um ar expectante...aguardei...aguardei...
Nenhum som foi libertado pelo amor, deveria estar tudo bem mesmo assim, que mal é poderia acontecer dentro de casa, ela nunca iria perder a cabeça e cair só por cair.
Atei então, o cordel à cabeça do meu amor e esperei que a mesma flutuasse. Comecei à andar até à entrada da porta e...nada. Abri a porta, corri com o cordel preso na minha mão direita, na ponta do mesmo estava rodeada por um cordel e presa por um nó, a cabeça do meu amor. Corri até ao portão, abri o mesmo, e corri com toda a velocidade pelo alcatrão ainda molhado pelas chuvas da noite. Notei que o cordel não se elevava, a cabeça do meu amor jazia junto ao chão, a mesma não se elevava.
Corri ainda mais, sempre na esperança que a cabeça do meu amor flutuasse...corri...corri, olhei para trás e apenas vislumbrei pequenos saltitos da cabeça do meu amor enquanto corria; os mesmos, notei, eram apenas devido às irregularidades do alcatrão.
Bolas, pensei...fui aldrabado pelo video do meu amigo. Voltei para casa, levei o meu amor...ou parte dele. Ao entrar na sala encontrei a outra parte do meu amor...era a parte maior, eu trazia comigo apenas a parte mais pequena, questionei-a de imediato, com um tom grave e aborrecido:
- Vens para a cama, amor?
Despeço-me com amizade
SAF