O meu CV (Curriculum Vitae) Parte I(para quem quiser aproveitar toda uma vasta experiência tecnológica, toda a minha sabedoria)
Nome: Sérgio Fernandes
Idade: 34 anos
Habilitações Literárias:
Tenho um bacharelato completo do 1º ano do curso superior de Informática, pois consegui lá ficar 3 anos. Para continuar os meus estudos consegui ainda tirar a licenciatura, mais 2 anos no 1º ano. Pensei para mim, sou um Ás. Já sou licenciado.
Nesta altura, para que os meus pais ficassem felizes comigo, consegui convencê-los a tirar uma Pós-Graduação (a mim ninguém me engana, claramente nasci para estudar. Estava a caminho do estrelato), fiquei mais 2 anos no 1º ano. Senti que não necessitava de prosseguir para o Doutoramento, sentia claramente que já tinha bagagem suficiente para terminar as minhas 7 disciplinas que ainda tinha por terminar do 1º ano. No entanto estava estoirado de tanto estudar (eram Bacharelatos, Especializações, Pós-Graduações...), decidi realizar uma pequena paragem para me encontrar. Está certo que não me encontrei logo, mas encontraram-me por volta das 04h00 da madrugada no Cais do Sodré.
Bom esta etapa já estava completa, tinha-me encontrado, e tinha o canudo na mão, podia passar para a próxima etapa, o mundo do trabalho.
O meu 1º trabalho:
Candidatei-me a um lugar de informático na Telecel, disseram-me que devido aos meus conhecimentos na área ficava com o lugar. Eu sabia que tantos anos de árduo estudo tinham concerteza servido para alguma coisa. Era a minha oportunidade, tinha um futuro risonho à minha frente.
Vesti o meu mais belo fato, sempre tive jeito para me vestir, conseguia combinar muito bem o verde claro com o lilás, recebia sempre grandes elogios:
-" (risos) eh pá China és o maior, a tua roupa fica-te a matar (mais risos) (pronto, talvez algumas gargalhadas)"
Lá fui eu ter ao local onde iria iniciar a minha vida laboral. Pensei:
-" Bom, espero que a minha secretária seja catita." (definição de secretária: mesa própria para escrever)
Entrei no edifício indicado, estranhei, parecia-me muito com uma garagem, no entanto estava certamente no edifício certo, pois estavam lá algumas pessoas que reconheci da altura da entrevista. Era o único de fato, todos os outros trajavam com roupa mais casual. Indicaram-nos o nosso local de trabalho, sim, eu, eu, eu, estava tão comovido, vi que ia ter uma secretária com um PC (iniciais de Personal Computer, nota-se que estudei, não?).
Bom, indicaram-nos que iriamos introduzir dados dos Clientes para que os telemóveis chegassem à casa destes. Teríamos de ser rápidos, pensei que para começar não estava mal, concerteza iria subir rápidamente dentro da empresa, e assim foi. Passado uma semana tinha batido o record de menos inserções de toda a equipa, sentia que estava no caminho certo, tão pouco tempo e já batia record's. Só para verem a distância, o melhor classificado era um senhor, que eu até tinha pena dele coitado, tinha apenas um braço e tinha um baixo síndroma ou síndroma de Baixo, era qualquer coisa em inglês, e ele mesmo assim doente fazia 17 inserções de dados num dia, eu ficava destacadíssimo com um brilhante score de 7, eh!eh!eh! (isto quer dizer risos).
Eu ria-me na cara de todos, cada vez que passava pelo meus colegas e ia para casa, normalmente dizia:
-" Até amanhã"
Eles ficavam piursos, quando eu dizia isso, eu era um ganda maluco.
Passado mais uma semana já tinha subido de posto, tinha subido um pouco mais para cima da garagem, agora já estava numa parte que já exigia mais trabalho, tinha mais a ver com a Róbotica, não tinha muito a ver com o meu curso, mas mesmo sendo extremamente complicado eu lá consegui, dei graças ao Senhor pelos 7 anos de estudos. Basicamente o camião estacionava à porta da garagem e conforme andava para trás fazia aquele barulho:
- " pi, pi, pi, pi, pi, pi" vi que algo não estava bem, mas não quis dizer nada, senão depois o pessoal dizia:
- " Lá está o doutorado, sempre a dominar o esquema"
Assim que o camião parava, lá vinha a minha parte, com algum perigo (mas eu sou assim não há nada que me assuste), tinha que premir no botão vermelho e automaticamente abriam as portas do camião, era lindo. Depois vinha a parte que mais gostava, automaticamente também atirávamos uma a uma as cerca de 18765 caixas de telemóveis e empilhávamos fora do camião. Esta parte automatizada exigia um pouco de nós, mas era bom.
Passado uma semana chamaram-me aos RH (podemos fazer várias associações com as iniciais RH, exemplo Ramos Horta, Ramalho Hortigão, Recursos Humanos, vamos escolher este último, fica bem na história), disseram-me:
-" Sabe, você é um trabalhador exemplar, tomara que todos fossem como você..." ok talvez depois do "Sabe,..." não tenha sido bem isso que se disse mas "Sabe..." foi de certeza.
-" O senhor superou todos os maus presságios que nós tinhamos, desejamos muito boa sorte para outros voos, está aqui o cheque, e sempre que quiser estaremos sempre ao seu dispor, está aqui a nossa morada no Zaire, são as nossas novas instalações, boa sorte"
Eu senti que era devido ao meu consistente CV, era demasiado, eles não me conseguiram segurar, era muito caro para eles.
Tentei várias vezes telefonar para o Zaire para lhes dar um abraço mas as linhas deviam estar trocadas, atendia sempre da Olaria do Fulbert Youlou.
Não desesperei.
A continuação do CV ficará para a parte II
Despeço-me com amizade (despedida à Eng Sousa Veloso)
Abraço
Sérgio