Os três pastorinhos

Aqui está uma foto que admiro. É das minhas fotos preferidas. Caso esta foto não fosse de corpo inteiro, poderíamos dizer que estaríamos na presença de três rapazes, todos eles com bigode, numa zona do interior Norte, hummm!!!
Ou poderíamos dizer que estavamos, olhando para as fotos de corpo inteiro, na presença de um pelotão de fuzilamento Sérvio, preparando-se para abater três rapazes com bigode, do interior Norte de Portugal.
Sem esforçar muito, até poderíamos dizer que estamos na presença de três dos mais perigosos terroristas do Hezbollah, Hassan, Sabri, Naybet, todos eles com bigode, numa zona do interior Norte. Por acaso, todos eles, alêm de terroristas, também jogaram futebol em clubes da 1ª liga Portuguesa.
Mas não, infelizmente, estamos na presença dos três pastorinhos, Lúcia Jesus dos Santos, Jacinta Marto e Francisco Marto, todos eles com bigode, que passaram ao lado de grandes carreiras. Com aquelas faces poderiam ter sido qualquer coisa, por exemplo: terroristas do Hezbollah ou até poderiam ter sido abatidos por um pelotão de fuzilamento Sérvio. Mas não, tinham que seguir a carreira de pastorinhos que os iria mantendo vivos durante muito tempo.
Como podem constatar pelas vestes, estamos na presença de três campinos, todos eles com bigode, numa zona do interior Norte, e não de três pastorinhos.
Após apuradas investigações, descobrimos que guardavam touros na ganaderia do bisavô do João Moura. Todos os três, de bigode, guardavam os touros a pé, pois desta forma, como todos tinham fraca visão, podiam com as suas bengalas saber onde estão e onde pisar.
Apoiavam-se muito uns aos outros e andavam sempre juntos mas com uma distância aceitável de cada um; desta feita, era mais difícil levar com as investidas dos touros no prado. Francisco foi colhido 56 vezes, em 6 meses que trabalhou na ganaderia do avô do João Moura. Foram-lhe perfurados um dos rins, um pulmão, um testiculo e o cólon, levou com 8976 pontos no total. A fraca visão também influenciava a falta de perícia nas fintas às investidas dos touros. Lúcia e Jacinta ficaram sem os 2 pulmões, e os 2 ovários, mesmo assim conseguiram sobreviver. Levaram com 5678 pontos cada uma e foram colhidas 77 vezes, em 6 meses de trabalho.
Todos eles tinham uma coisa em comum, alêm do bigode, antes de serem colhidos pelo touro, ouviam sempre uns passos a galope:
tchuc...tchuc
tchuc...tchuc
tchuc...tchuc
Tentavam desesperadamente saber de que local vinha o touro, rezando para que fosse sempre em direcção ao Francisco, até o Francisco rezava para que fosse na direcção dele, adorava ser colhido. Apenas se apercebiam que estavam a ser colhidos, por um touro, quando sentiam a cabeça do touro pegá-los por baixo e elevá-los a metros do chão, era lindo. Depois, o touro, aguardava que os corpos chegassem ao chão e investia novamente, mais vinte metros. No fim, os touros, faziam pequenos lançamentos com cada pastorinho, contra as cercas de madeira, em sessões de 3x5 arremessos, com descanso de 15 segundos entre cada sessão. Ao fundo o bisavô do João Moura, ouvia o sorrir das crianças a brincar com os touros, aquele riso gaiato e sincero. Eram lindas aquelas tardes passadas na ganaderia.
"Tão quiducho" - pensava ele, o bisavô do João Moura.
Até que um dia, Lúcia, enquanto era colhida por um touro, numa tarde normal de domingo, viu uma luz a aproximar-se. Quanto mais o touro arremessava o seu corpo para longe, mais a luz se aproximava. Até que no último arremesso, a mais de 30 metros...
Pausa -
Foi batido, naquele dia de 1917, o record de lançamento do pastorinho, em 3 cm. O record pertencia ao Gáudencio, um touro de 617 Kg da ganaderia do bisavô do Joaquim Bastinhas. O novo recordista era o Felizardo, com 550 Kg e pertencia à ganaderia do bisavô do João Moura. Esse record perdurou durante 90 anos, até ter aparecido o Pedrito de Portugal, que voou cerca de 35 metros, foi magnífico aquele voo.
Fim da pausa -
Até que no último arremesso, a mais de 30 metros...Lúcia sentiu uma luz forte a aproximar-se, ouvindo uma voz ao fundo que contava os metros para o embate.
9...8...7...6...5...4...3...2...1...caros amigos, temos contacto.
Foi aí que se deu o embate que iria mudar a vida de Lúcia, ao colidir com a sua cabeça no farolim, ligado, do Ford Modelo T do bisavô do João Moura, partindo-o.
Lúcia, correu imediatamente para ao pé dos amigos pastorinhos, quando ouviu uma voz:
- Lúcia!!!!Lúcia!!!! estás a ir em sentido contrário, nós estamos deste lado.
Lúcia, ouviu os seu amigos, todos de bigode. E correu em sentido contrário. Ouvindo imediatamente outra vez a voz:
- Olha a porta do celeir...
Tarde de mais, a porta tinha realizado mais um mau trabalho de estética na face de Lúcia. No entanto, Lúcia, ergue-se e continua a correr, chegando perto dos seus amigos, dizendo:
- Eu vi a luz!!!!Eu vi a luz!!!! Acho que era a Nossa Senhora!!!!
Francisco, respondeu:
- Mas a Nossa Senhora, mulher do bisavô do João Moura, já morreu, colhida por um touro, Lúcia.
Lúcia, ofegante, retorquiu:
- Não é essa Nossa Senhora, é a outra, aquela que tem luz, a mulher do Criador.
Francisco, pergunta de imediato:
- Do criador de cabras alí do Lote 15?
Lúcia, enfurecida, respondeu, cuspindo-se toda com furia:
- Fod...c'um caralh...para o puto de merd...chiça. Eh pá, é aquela que andou enrroscada com Deus e depois teve um filho ilegítimo, que tiveram que dar para adopção, pois Deus já tinha o JC e não queria confusões com mais putos. É essa, ok?
Fransciso, finalmente percebeu. Entretanto ouvem-se gritos, era o bisavô do João Moura:
- Quem é que me partiu a merda do farolim, do meu Ford?hummm?
Nunca ninguém soube de nada. Até tiveram que inventar um história de uma Nossa Senhora, com visões, tudo para encobrir o farolim partido por Lúcia. Toda a gente em Fátima quis saber quem tinha partido o farolim, mas nunca se soube.
Até ao Papa, João Paulo II, tiveram que lhe contar uma mentira sobre o segredo de Fátima, isto porque se o João Moura sabe quem partiu o farolim do Ford T, uiiiii!!!!! Não se aguenta o homem. É um chato.
Uiiiiiiii!!!!!!
Até hoje, os três pastorinhos, todos de bigode, guardaram muito bem aquele segredo de Fátima.
Despeço-me com amizade
SAF
