quarta-feira, junho 11, 2008

Nós não pressionamos ninguém...hummm!!!




- " PARE, SEU FILHO DA P..., CABR... DO CARAL..." Foi assim, dirigindo palavras de conforto, que o Sr Freitas conseguiu, amigavelmente, parar o seu colega camionista.


- "Oh meu amigo!!!!!" exclama o Sr Freitas ao seu colega do interior do camião, mantendo a sua pose calma, onde apenas se vislumbra uma pequena espuma branca escorregando pelo canto esquerdo da sua boca.


- "Mas..." tentou desculpar-se o colega do interior do camião, sendo imediatamente interrompido.


- "Nós não estamos aqui a pressionar ninguém a parar. Nós somos seus amigos. Nós, delicadamente, sugerimos que pare pois não nos responsabilizamos pelo que possa acontecer mais à frente." gritou serenamente o Sr Freitas, com todo o ar do interior dos seus pulmões, ao mesmo tempo que fazia pequenos movimentos circulares com o bastão preso à sua mão esquerda, sem nunca demonstrar qualquer acto intimidatório.


- "E-e-e-e-u a-a-a-p-p-pen-as..." gaguejou de uma forma rebelde o Sr do interior do camião, esse sacana...pulha...bom, mas o Sr Freitas lá continuou.


- "Se continuar, lá à frente estão umas pessoas que nós não conhecemos, o meu cunhado e os meus sobrinhos, que nunca irão ser alertadas por nós via rádio, para lhe arremessarem umas pedras, à sua fronha. Ninguém da empresa do meu cunhado, que por acaso até trabalha numa pedreira, traria um carregamento de pedras para atirarem aos nossos companheiros camionistas, isso nunca, hummmm!!!! NUNCA!!!!" retorquiu o Sr Freitas, cuspindo em cada uma das palavras que proferia, sem que nunca, o cuspe, acertasse a face do canalha do seu colega. Aquele que não quis parar.


Com um incrível poder de negociação, lá o crápula que se alojava no interior daquele camião sujo, decidiu sair. Ao tentar sair, metade do seu corpo, a metade onde estão as pernas, desmornou, aquartelando o seu imundo corpo, todo junto, na base do alcatrão quente. O camionista insolente estava no período de negação, ainda pensava que não era paraplégico. O facto de não conseguir andar era apenas uma situação pontual.


Com pequenas carícias, pontapearam o insolente camionista paraplégico uma ou duas vezes no seu baixo ventre, apenas para ele sentir o companheirismo e a forma democrática como esta luta estava a ser levada por todos os camionistas.


Assim, o Sr Freitas e o "verme" - aquele que estava, há poucos parágrafos atrás, alojado no interior do camião e que por acaso até era paraplégico - começaram a acender o lume com o intuíto de assar as febras, para que eles e todos os seus colegas pudessem matar a fome que apertava pelas longas horas de luta.


Este é um relato imparcial de uma luta democrática que, sem violência, demonstra a união de todos os camionistas. Os que querem continuar a trabalhar podem continuar e nunca sofrerão represálias, nem sequer os travões cortados caso parem em qualquer estação de serviço... são aqueles 2 fios vermelhos que estão atrás no camião...hummm!!!ISSO NUNCA. NUNCA IREMOS CORTAR AQUELES 2 FIOZINHOS VERMELHOS QUE FAZ COM QUE OS TRAVÕES NÃO FUNCIONEM...AQUELES 2 FIOS VERMELHOS MALTA...HUMMM!!!!!


2 fios vermelhos


Bom...despeço-me aqui com amizade.

Assinado pelo sobrinho do Sr Freitas...o Rogério.


SAF

p.s. (do Rogério) - são os 2 fiozinhos vermelhos...hummm!!!!! I Kill you...